sexta-feira, 26 de agosto de 2011

LEMBRANDO CARL BARKS: O HOMEM DOS PATOS



Quando criança, descobri um tesouro. No quartinho de despejo da casa de uns tios encontrei uma estante com a coleção completa, até então, dos gibis de Tio Patinhas e do Mickey.
Passava toda a tarde folheando aquelas revistas de Histórias em Quadrinhos. O Tio Patinhas era Almanaque e tinha a lombada quadrada. O Mickey era grampeado. Gostava das duas publicações. Mas hoje gostaria de falar do gibi do Tio Patinhas porque nele havia umas histórias que me fascinavam. Geralmente eram as histórias em que o Donald e seus sobrinhos, Huguinho, Zezinho e Luizinho, por imposição de seu tio milionário, se metiam em fantásticas aventuras pelo mundo, algumas delas recheadas de personagens mitológicos como o Minotauro e as Hárpias. Gostava também dos vilões que assombravam Tio Patinhas como os Irmãos Metralha e a Maga Patalógika. Mais tarde não só eu, como todos os fâs dessas histórias, descobrimos que elas não eram desenhadas pelo Tio Disney, embora todas tinham a assinatura dele. Fãs americanos descobriram que as aventuras eram desenhadas por Carl Barks. Um americano que começou fazendo desenhos animados da Disney e depois passou a desenhar HQs criando não só o Tio Patinhas como Os Irmãos Metralha, a Maga, o Professor Pardal e outros personagens. Barks desenhava as suas aventuras fazendo pesquisas em sua coleção da Geográfica Universal e fazia com que a garotada viajasse através da sua imaginação. Barks ficou conhecido como o Homem dos Patos. Roteirizava e desenhava suas histórias em seu rancho de onde não saía. Após a aposentadoria, conseguiu permissão da Disney para pintar os seus personagens em cenas de suas melhores histórias. Os quadros a óleo dessa série hoje são valiosos e ilustraram as mais de 40 capas da Coleção "O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks" lançada em 2008 pela Abril. Barks morreu em 25 de agosto de 2000, mas deixou um legião de fâs. A Arte Visual de Barks agradou as crianças de ontem e agrada as de hoje. Mesmo com traço cômico, Barks consegue exprimir todo tipo de sentimento atráves das expressões de seus personagens. Conheci recentemente outro fâ de Barks, Marcelo Alencar, que traduziu todas as histórias do Homem dos Patos. Nunca os Patos tiveram tanta alma como no traço de Barks.  Ele tinha predileção pelos anti-heróis como o Pato Donald e mesmo as crianças de Barks tinham pouco de políticamente correto. Como diria Ziraldo sobre Pererê: "não faço histórias educativas, faço histórias com que as crianças se identifiquem". Por essas e por outras é que admiro o trabalho desses dois: Barks e Ziraldo. De Ziraldo falarei mais pra frente...

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